Vivendo o Reino em Família

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O Espírito Santo em movimento no Evangelho de João



O cenáculo do Espírito Santo

Alguém cedeu uma sala espaçosa, mobiliada e arrumada no andar de cima de uma casa em Jerusalém para Jesus celebrar a Páscoa com os discípulos (Lc 22.7-13). Talvez seja a mesma sala onde os primeiros cristãos se reuniam para orar (At 1.13-14). Nesse caso, seria a casa de Maria mãe de João Marcos (At 12.12). A solenidade, celebrada na intimidade, aconteceu no dia 14 de nisã (mês correspondente ao final de abril e início de maio) do ano 30, na parte da tarde e até certa hora da noite, de quinta para sexta-feira. Era uma reunião de celebração e de despedida, pois no dia seguinte, por volta das três horas da tarde, Jesus iria derramar a sua “alma na morte” e seria “cortado da terra dos viventes”, como o profeta Isaías havia escrito setecentos anos antes (Is 53.1-2). O que ali se desenrolou ocupa um quarto do Evangelho de João (cinco capítulos). Durante o programa, Jesus menciona oito vezes a pessoa do Espírito Santo.

Os nomes do Espírito Santo

O Espírito Santo é chamado de Espírito Santo (uma vez), Espírito da Verdade (três vezes) e Consolador (quatro vezes). A palavra grega que Jesus mais usou para referir-se ao Espírito é “parakletos”, isto é, o Espírito é uma pessoa para estar ao lado de outra pessoa a fim de auxiliá-la com sua influência e poder. Os tradutores da Bíblia fazem um grande esforço para encontrar a palavra mais próxima e apropriada. Daí a multiplicidade de versões: Advogado, Ajudador, Amigo, Assistente, Auxiliador, Conselheiro, Consolador, Defensor, Encorajador, Intercessor, Sustentador e Velador. Algumas traduções preferem usar a palavra original Paracleto. Para W. Hendriksen, a melhor tradução é Auxiliador, aquele que pode oferecer “qualquer ajuda que for necessária”. Paulo diz que o Espírito “nos assiste em nossas fraquezas” e chega a interceder por nós sobremaneira, “com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26).

O natal do Espírito Santo

Todos os verbos que Jesus usa no Cenáculo para descrever a atividade mais ampla e mais intensa do Espírito Santo estão no tempo futuro: anunciará, convencerá, ensinará, glorificará, guiará, lembrará, virá etc. Jesus está confirmando a profecia de Joel: “E acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre toda carne” (Jl 2.28). Jesus está prometendo o “natal” do Espírito Santo para muito breve. Aconteceria depois de sua ressurreição e de sua ascensão: “Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja sempre convosco” (Jo 14.16). O Espírito Santo seria derramado de modo especial e inauguraria o seu pleno ministério cinquenta dias depois, no dia do Pentecostes (At 2.1-4).

O “lembrador” de Jesus

Por ser a pedra principal que sustenta todo o edifício, por ser aquele que resolveu para nós, de forma justa e perfeita, o problema do pecado, por ser aquele que proclamou no inferno, no céu e no mundo que o Diabo fora vencido na cruz – Jesus não pode ser esquecido. Uma das providências tomadas pelo próprio Jesus para se fazer lembrado no longo período entre sua morte e sua volta foi a instituição da Santa Ceia e o seu significado: “Façam isto em memória de mim” (1Co 11.24-25). A outra providência compete ao Espírito Santo: ele nos faz lembrar das palavras de Jesus (Jo 14.26), testemunha para nós a respeito de Jesus (Jo 15.26) e mostrará a nós a glória de Jesus (Jo 16.14). O Espírito Santo é o eterno “lembrador” de Jesus Cristo.

O convencedor do pecador

Sem a atuação do Espírito Santo a evangelização não dá resultado. Sem o ministério do Espírito não há convicção de pecado, não há arrependimento, não há perdão de pecado, não há salvação. É o Espírito que convence o mundo “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16.8). Quem tira o pecado do mundo é Jesus (Jo 1.29), mas quem tira o pecador da ignorância, do cinismo, da inércia, da indiferença, da cegueira, da cerviz dura, da insensibilidade, da incapacidade, da indisposição é o Espírito Santo. O pregador do evangelho precisa ter aquela consciência que Jesus teve ao iniciar o seu ministério: “O Espírito do Soberano, o Senhor, está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para levar as boas notícias de salvação aos pobres” (Lc 4.18).


Fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/340/o-espirito-santo-em-movimento-no-evangelho-de-joao